A validação didática do ensino do português

Dr. Joaquim DOLZ - Universidade de Genebra


A pesquisa em engenharia didática propõe uma experimentação de materiais didáticos (manuais, sequências didáticas, etc.), das inovações pedagógicas e  das próprias práticas docentes com esses instrumentos. O objetivo da conferência é de discutir o conceito de validez didática e de defender uma observação rigorosa da implementação dos novos materiais de ensino para verificar os benefícios e as limitações das inovações. Geralmente, o critério utilizado para a validação dos materiais ou da metodologia de ensino é o progresso constatado na aprendizagem dos alunos. Nós consideramos que cinco critérios devem ser mobilizados para conseguir uma apreciação mais completa das potencialidades das inovações didáticas : 1) a legitimidade ou respeito das exigências sociais e das prescrições dos currículos; 2) apertinência em relação às necessidades e às capacidades de linguagem dos alunos ; 3) a coerência dos conteúdos do gênero textual abordado no ensino do português ; 4) a viabilidade para o ensino nas aulas da escola; 5) as interações professor e aluno e os processos de aprendizagem que conduzem ao progresso dos alunos com os materiais avaliados. Varias pesquisas sobre o ensino de gêneros orais e escritos vão ser apresentadas para ilustrar o interesse do processo de validação e do conceito de validez didática.  




A linguagem na moldura de sins e de nãos

Drª Maria Helena Moura Neves - Unesp/UPM/CNPq


A hipótese geral que dirige a exposição é que falar de negação é mais do que invocar a ação de palavras negativizadoras no enunciado, cabendo contemplar e avaliar, por exemplo, negativizações formais que obtêm efeito de reforço de afirmação, ou vice-versa, tudo a serviço da explicitação dos “movimentos” discursivo-retóricos dentro dos quais a natureza formalmente positiva ou negativa das frases se relativiza. A atenção vai para os mecanismos que escalarmente atuam no espaço entre o sim e o não, por exemplo a modalização e a comparação (entre outros de suporte pragmático e retórico), assim como para o entrecruzamento entre os extremos polares e esses processos que se manifestam no espaço intervalar. 




Análise comparativa de textos e gêneros textuais: questões teóricas e metodológicas

Drª Florencia Miranda - Universidade Nacional de Rosário


Esta intervenção propõe mostrar uma linha de trabalho desenvolvida na última década na Universidad Nacional de Rosario, Argentina, que aborda a problemática do estudo comparativo de línguas, textos e gêneros textuais a partir de uma perspectivainteracionista (retomando os trabalhos Voloshinov, Vigotsky e Bronckart, etntre outros). Especificamente, discutiremos aspectos teóricos que sustentam os trabalhos de pesquisa, delimitando as bases epistemológicas interacionistas e explicitando as articulações com outras perspectivas teóricas que consideramos compatíveis (por exemplo, os trabalhos Ute Heidmann). Além disso, apresentaremos as opções metodológicas que assumimos para o estudo dos objetosfocados. Finalmente, comentaremos algumas das implicações e prolongamentos que nossas pesquisas vêm possibilitando como intervenção direta no campo da formação de professores e tradutores.




Lecture subjective : implication émotionnelle, affective et cognitive du sujet lecteur
Leitura subjetiva : implicação emocional, afetiva e cognitiva do sujeito leitor

Drª Annie Rouxel - Universidade Bordeaux 4


La lecture subjective désigne une forme de lecture littéraire qui met à distance les approches encore trop exclusivement formalistes de la littérature. Elle requiert la participation du sujet lecteur et rend compte de la manière singulière dont il s’approprie le texte et le remodèle en y investissant sa personnalité profonde, ses valeurs, son imaginaire.La réflexion portera sur l’importance heuristique, la richesse, la complexité du vécu subjectif dans l’expérience de lecture. Comment s’exprime la subjectivité du sujet ? Quels liens se tissent entre émotion et cognition ? Enfin comment les réactions sensibles des lecteurs conduisent-elles à des interprétations plurielles qui conjuguent créativité de la réception et réflexivité critique ? Lieu de formation de soi, de construction identitaire et culturelle, la lecture subjective sollicite des compétences qu’elle développe tout à la fois : capacité attentionnelle au texte et à soi lisant, ouverture à l’altérité, curiosité et aptitude au questionnement, exercice de la pensée critique.

A leitura subjetiva designa uma forma de leitura literária que distancia as abordagens demasiadamente exclusiva dos Formalistas da Literatura. Ela requer a participação do sujeito leitor e leva em conta a maneira singular na qual ele se apropria do texto e o remodela investindo nele sua personalidade profunda, seus valores, seu imaginário. A relfexão será feita sobre a importância eurística, a riqueza, a complexidade do vivido subjetivo na experiência da leitura. Como se exprime a subjetividade do sujeito ? Quais liames são tecidos entre emoção e cognição ? enfim, como as reações sensíveis dos leitores conduzem à interpretações plurais que conjugam criatividade da recepção e reflexão criativa ? Lugar de formação de si, de construção identitária e cultural, a leitura subjetiva solicita competências que ele desenvolve ao mesmo tempo : capacidade de atenção ao texto e a si lendo, aberutra para a alteridade, curiosidade e aptdão ao questionamento, exercício do pensamento crítico.