Simpósios Temáticos

Usos linguísticos: morfologia e sintaxe
Coordenador@s:
Dr. Denilson Pereira de Matos (UFPB) & Anderson Monteiro (UNIFAP)
Este Simpósio Temático, embora pretenda reunir e discutir estudos que, sob orientação teórica funcionalista, abordem aspectos atinentes à descrição e à análise de propriedades morfológicas e sintáticas do português, recebe, também, propostas sobre morfologia e sintaxe que valorizem a noção estrutural no estudo da língua. Principalmente, pois acreditamos que abordagens formalistas e funcionalistas, dadas as devidas proporções, podem ser admitidas como partes de uma busca semelhante: descrever o funcionamento da língua (KATO e CASTILHO, 1991), seja por um viés mais preocupado com o sistema, seja numa perspectiva mais preocupada com o seu uso propriamente dito. Nesta acepção, mais do que pesquisas voltadas para uma abordagem de viés funcionalista, nos interessam os trabalhos voltados para o estudo da morfologia e da sintaxe. Parece-nos que com os anos, estudos que observem o sistema, ainda que valorizem o uso do mesmo, são cada vez mais escassos no cômputo dos trabalhos em eventos científicos da área da língua/linguagem. Destarte, interessam-nos, nesta perspectiva, trabalhos que apresentem resultados finais ou ainda pesquisas que estejam em andamento e que envolvam contribuições no âmbito da morfologia e da sintaxe. Portanto, estudos que versem sobre: problemas conceituais/estruturais; sobre a importância e funções textuais/discursivas de adjuntos (adnominal e adverbial), substantivos e adjetivos; estudos sobre pronomes; aspecto verbal; modalização; prototipicidade, transitividade verbal e oracional fazem parte das prerrogativas deste Simpósio. Outrossim, interessamo-nos, ainda, por estudos que envolvam estratégias relevantes para o ensino da morfologia e da sintaxe a partir do texto.



Abordagens didáticas nos estudos de gêneros
Coordenador@s:
Drª Regina Celi Mendes Pereira (UFPB) & Drª Poliana Dayse Vasconcelos Leitão (PMJP-PB)
As ações desenvolvidas no âmbito do Ateliê de Textos Acadêmicos buscam investigar o processo de elaboração de gêneros acadêmicos em interface com diferentes áreas de conhecimento. Nesse sentido, temos analisado as especificidades dos parâmetros de produção e da arquitetura textual dos gêneros nessa esfera discursiva (Brockart, 1999, 2006, 2008) e também os processos de didatização da escrita em ambiente universitário, principalmente em turmas de graduação, já que é no ingresso do curso que os graduandos são confrontados com a necessidade de desenvolver o conhecimento e a prática da escrita acadêmica, configurada na elaboração de resumos, resenhas, projetos, artigos e ensaios. Assim, inseridos nesse objeto de investigação e ampliando os contextos de ensino-aprendizagem, o objetivo do simpósio volta-se para a reflexão sobre estudos e pesquisas que contemplem propostas e experiências didáticas que focalizem o ensino-aprendizagem de textos orais e escritos, tendo o gênero como ferramenta metodológica. Portanto, o simpósio acolhe pesquisas e discussões desenvolvidas sob diferentes perspectivas teórico-metodológicas e em diferentes níveis de ensino, desde a educação básica até a educação superior, contanto que focalizem abordagens didáticas da produção textual.



Leituras de Antonio Candido
Coordenador@s:
Dr. Marcos Falchero Falleiros (UFRN) & Dr. Manoel Freire Rodrigues (UERN)
Antonio Candido legou à cultura brasileira um riquíssimo patrimônio intelectual, com o equilíbrio da coerência e da clareza pedagógica de proposições, que se estendem imanentemente aos desdobramentos do ensino de literatura em todos os níveis. Alheio a modismos teóricos e a afetações de radicalismo exclusivista, sempre combateu benevolamente, com a abertura de seu método integrativo, a pretensão dos comportamentos dernier cri na caça tola de prestígio que infesta a degradação pomposa dos ambientes universitários. Estudioso refinado das questões nacionais, sua longa trajetória distinguiu-se tanto pelo didatismo límpido do mestre cujo “ensino do ensino” encantou e bem formou numerosos discípulos, como pelo foco social que não fugiu ao trabalho de campo para a elaboração de aspectos reveladores da cultura popular, oferecendo à nossa fortuna crítica um dos mais significativos diagnósticos do trajeto histórico-cultural do país, como se evidencia em Formação da literatura brasileira – Momentos decisivos. Não bastasse a suficiência dessas contribuições, Antonio Candido estabeleceu parâmetros fundamentais ao ensino da literatura, como nos ensaios Dialética da malandragem e De cortiço a cortiço. Daí o reconhecimento, seja de seus pares, seja do discípulo refinado e independente, como Roberto Schwarz, que refuta a pecha simplista e equivocada de sociologismo atribuída pela inocência pretensiosa ao grande patrimônio do “Mestre-Açu AC”, cuja coerência fez dele “o mais estrutural entre os críticos brasileiros”, isto é, aquele que ensina que a historicidade está entranhada nas estruturas textuais. Nesse sentido, o simpósio Leituras de Antonio Candido propõe uma modesta amostra desse patrimônio através do enfoque de seus ensaios sobre literatura, acolhendo também, de modo mais abrangente, estudos que tenham ainda que lateralmente algum aproveitamento crítico de aspectos de sua obra, dentro da importância que apresentam para um ensino consistente da literatura brasileira.



Estudos em Análise Crítica do Discurso
Coordenador@s:
Dr. Iran Ferreira de Melo (UFRPE) & Drª Rebeca Lins Simões de Oliveira (UPE)
Num mundo de imperativos que aprofundam cada vez mais a divisão de classes, aumentam a marginalização e causam a vulnerabilidade de alguns grupos sociais em favor de outros; num tempo de escolas políticas aos modos de figurões como Diogo Mainardi, Raquel Sherazade, Demétrio Magnoli, Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro, que lugar têm os estudos linguísticos na análise dessa realidade? É diante disso e em favor da produção de uma linguística cada vez mais consciente de seu objeto que este simpósio tem o objetivo de convidar a comunidade de pesquisadores/as dos estudos do discurso a refletir sobre o paradigma de investigação linguística e social denominado Análise Crítica do Discurso (ACD), que tem como escopo de estudo, lato sensu, os efeitos ideológicos que sentidos de textos, como instâncias de discurso, podem ter sobre as práticas sociais, isto é, sobre as formas de indivíduos agirem no mundo e interagirem com o mundo, representarem aspectos da realidade e construírem identidades sobre si e sobre outrem. Esse paradigma serve, por isso, como um produtivo recurso para a análise dos sentidos que atuam a serviço de projetos particulares de dominação e exploração, seja contribuindo para sustentar ou modificar conhecimentos, crenças, atitudes ou valores (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999). Queremos reunir, assim, estudos que se proponham a investigar o discurso para entender as muitas desigualdades sociais materializadas em práticas de discriminação social, preconceito, abuso de poder e violência simbólica (FAIRCLOUGH & WODAK, 1997; RAMALHO & RESENDE, 2011), interessados no papel do discurso para a mudança social e nos modos de organização da sociedade em torno de objetivos emancipatórios, pelos quais busca oferecer suporte científico para estudos sobre o papel do discurso na instauração/manutenção/superação de problemas sociais (TITSCHER et al, 2000; MAGALHÃES, 2010).



Variação linguística e/ou dialetal em situações de contato
Coordenador@s:
Dr. Rubens Marques Lucena (UFPB) & Drª Luana Anastácia Santos de Lima (UEPB)
O número de pesquisas sobre fenômenos de variação linguística do português brasileiro (PB) é bastante considerável, sobretudo se levarmos em conta que a Sociolinguística variacionista é uma área consolidada no Brasil desde a década de 1980. No entanto, ainda são poucos os estudos que procuraram descrever fenômenos de variação entre dialetos do PB em situação de contato ou que analisaram a relação entre padrões variáveis do PB e a aquisição de línguas estrangeiras (L2). Nesse sentido, este simpósio temático tem como objetivo reunir pesquisadores que venham desenvolvendo estudos sobre variação linguística e/ou dialetal, nas mais diversas situações de contato: a) entre língua materna (L1) e uma língua estrangeira (L2); b) entre dialetos distintos do PB; ou c) entre o PB e outras variedades do português. Propomos também que este simpósio se abra como espaço de diálogo e discussão com pesquisadores que venham trabalhando com atitudes linguísticas, acomodação dialetal ou sociofonética. Embora a maior parte dos estudos acima elencados tenha um aporte teórico na Sociolinguística variacionista (Labov, 1966, 1972) e na Teoria da Acomodação da Comunicação (Giles, Coupland & Coupland, 1987), o objetivo deste simpósio é congregar pesquisas que discutam os fenômenos de variação em contato a partir de diferentes bases teóricas e abordagens metodológicas.



Estudos semânticos e pragmáticos: da descrição à aplicação
Coordenador@s:
Dr. Erivaldo Pereira do Nascimento (UFPB) & Dr. Marcos Antônio da Silva (IFAL)
Este Simpósio Temático objetiva promover a discussão de pesquisas tanto de natureza descritiva como aplicada sobre diferentes fenômenos semânticos e pragmáticos, em suas interfaces com diversas áreas, inclusive com o ensino. Assim, aceita trabalhos relacionados às várias áreas da Semântica e da Pragmática, entre as quais a Semântica Formal, a Semântica Cognitiva, a Semântica Enunciativa, a Semântica Argumentativa, a Semântica Lexical, a Semântica Cultural, a Semântica Computacional, entre outras, e com diferentes teorias da pragmática, seja na vertente ilocucional ou na conversacional. Os trabalhos de natureza descritiva, com ou sem interface com outros componentes da gramática (fonologia, morfologia, sintaxe etc.) devem conter descrição ou análise de dados ou fenômenos linguísticos, considerando aspectos semânticos ou pragmáticos, ancorados em teorias das áreas supramencionadas. Nos trabalhos que tratem de investigações de natureza aplicada, espera-se que esses tratem da contribuição das diferentes correntes dos estudos semânticos e da pragmática para o ensino de língua, materna ou estrangeira, ou ainda para problemas e fenômenos relacionados ao uso da língua(gem), tais como aqueles decorrentes da tradução, do bilinguismo ou da aquisição de línguas, com foco em aspectos da significação e da construção de sentidos. Assim, o simpósio pretende realizar um amplo debate a partir de trabalhos que busquem verificar a abrangência e a relevância das atuais pesquisas na temática da significação ou dos sentidos construídos/emergentes do uso linguístico, pautadas em diversas teorias semânticas e pragmáticas, permitindo ainda mapear e observar o impacto e as contribuições da área para o ensino e para outras áreas de atividade humana. Nesse sentido, espera-se, com esse simpósio, identificar e refletir sobre investigações realizadas ou em desenvolvimento que tratem da temática da significação e do uso linguístico, tanto da descrição e da análise de fenômenos linguísticos, como da sua aplicação a problemas de uso da linguagem, dentro ou fora do contexto escolar.



Sequências didáticas e o ensino de línguas: experiências e problematizações
Coordenador@s:
Drª Eliane Vitorino de Moura Oliveira (UFAL) & Elias André Silva (UFAL)
O ensino de línguas, em qualquer modalidade que vise a ampliação das capacidades linguísticas segundo objetivos determinados, tem sido alvo de constantes reflexões e pesquisas. Estudiosos não têm medido esforços em busca de aperfeiçoamento dessa atividade, com vistas a apontar caminhos que levem os aprendizes a apropriarem-se satisfatoriamente dos conteúdos relacionados tanto ao sistema linguístico quanto ao ato interativo. Nesse sentido, Dolz e Schneuwly (1998) propõem um modelo para o ensino de línguas, baseado em um conjunto de atividades progressivas, planificadas, guiadas por uma temática inserida em um projeto de classe. Trata-se do trabalho com as Sequências Didáticas (SD). Neste simpósio, visamos (re)conhecer propostas com gêneros variados, voltadas para o ensino de línguas, tanto como língua materna quanto como língua estrangeira, que apresentem os conceitos e princípios das sequências didáticas em busca de um ensino eficaz e produtivo. Portanto, pesquisadores e pesquisadoras com trabalhos nesta temática são convidados e convidadas a problematizarem conosco, compartilhando suas experiências, para que, com isso, sejam socializados os saberes, de maneira que o diálogo culmine em significativas reflexões sobre as sequências didáticas e o trabalho com os gêneros textuais como instrumentos eficientes para a criação de condições de um ensino efetivo e a construção de indivíduos eficientes no uso das línguas em contextos variados.



Historiografia das ideias lingüísticas
Coordenador@s:
Dr. Francisco Eduardo Vieira da Silva (UFPB) & Drª Maria del Pilar Roca Escalante (UFPB)
O objetivo deste simpósio temático é reunir pesquisadores em historiografia das ideias linguísticas, a fim de identificar e visibilizar pesquisas no campo historiográfico que se refiram aos mais diferentes temas, para alcançar um maior esclarecimento histórico que facilite o desenvolvimento da consciência linguística entre pesquisadores e usuários da língua vernácula e de línguas estrangeiras no Brasil. Desse modo, serão aceitas pesquisas concluídas ou em andamento que se ocupem do trato historiográfico das ideias linguísticas, como teorias, saberes, mitos, afirmações sobre a linguagem e as línguas. Os trabalhos poderão estar centrados em diferentes objetos, tais quais instrumentos linguísticos, a exemplo de gramáticas, retóricas, dicionários, ortografias e cartilhas; teorias linguísticas, em termos de produção, desenvolvimento, recepção e esquecimento; disciplinas escolares relativas à língua e à linguagem, como a análise da evolução de uma disciplina escolar através de seus diferentes projetos político-pedagógicos. De igual modo, serão aceitas análises historiográficas de textos considerados programáticos dentro da história da gramática e da linguística, bem como a historiografia de abordagens metodológicas originais e inovadoras nos estudos da linguagem. As perspectivas epistemológicas a partir das quais os pesquisadores analisem suas fontes historiográficas podem ser dos mais diferentes escopos ou fundamentações teóricas, vinculadas a diferentes tradições, seja locais ou universais. Os trabalhos também podem abordar a historiografia do ensino da língua vernácula ou de línguas estrangeiras aos mais diferentes grupos: migrantes, refugiados, povos de regiões de fronteira, povos colonizados, minorias linguísticas, sociedades urbanas etc.



Linguística aplicada na contemporaneidade: práticas e reflexões
Coordenador@s:
Drª Júlia Maria Raposo Gonçalves de Melo Larré (UFRPE) & Drª Tânia Maria Diogo (UPE)
O Simpósio Temático “Linguística Aplicada na contemporaneidade: práticas e reflexões” tem como principal objetivo reunir pesquisadores que possam contribuir para a ampliação das discussões existentes na área de Linguística Aplicada, mais especificamente com debates que girem em torno das preocupações e ações no ensino-aprendizagem, formação docente, elaboração e avaliação de material didático, desenvolvimento de projetos políticopedagógicos, implementação de propostas curriculares que possam expandir o embasamento teórico-metodológico sobre a área de línguas materna e estrangeira. Contextualizaremos o Simpósio tendo em vista o desafio contemporâneo de lidar com as pluralidades das formas de interação e de linguagem dentro e fora da sala de aula. Esse Simpósio busca aprofundar reflexões sobre as pesquisas da área da Linguística Aplicada no Brasil, sobretudo, no contexto da educação escolar na educação infantil, no ensino fundamental e médio, na EJA e na universidade, para que haja espaço para renovação das ações pedagógicas. Partimos de um viés criado por meio das discussões da contemporaneidade e consideramos como diretrizes para o acolhimento no Simpósio de projetos de pesquisa, trabalhos de pesquisa em andamento ou finalizados que tratem de noções como as de multiletramentos, multimodalidades, pedagogia crítica, Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural, teoria do pensamento complexo, dentre outras linhas de pensamento, bem como trabalhos que tragam contribuições relevantes para as práticas em sala de aula e para a compreensão dos estudos da área da Linguística Aplicada.



Produção de sentido nos espaços da cibercultura
Coordenador@s:
Drª Oriana de Nadai Fulaneti (UFPB) & Drª Ilca Suzana Lopes Vilela (UFRPE)
Estudos relacionados à produção de sentido emergem de várias áreas do conhecimento, inclusive para uma melhor compreensão das práticas humanas que foram ressignificadas e mesmo criadas a partir da consolidação das tecnologias da informação e da comunicação, da produção colaborativa de textos/discursos nas redes sociais etc. Assim, diversas teorias dos campos compreendidos por estudos e pesquisas relacionados a linguagens contribuem com seus aportes teóricos e metodológicos para apresentar descrições e explicações dos pequenos simulacros das atuações do homem sobre o mundo (no eixo da produção) e sobre ele mesmo (no eixo da comunicação, com destaque para as relações interpessoais). Dado o exposto, este Simpósio Temático tem como objetivo realizar discussões acerca de diferentes objetos de pesquisa analisados à luz da semiótica de linha francesa e/ou da sociossemiótica das práticas sociais, que, como modelos interpretativos de uma teoria da significação, pautam-se: a) no aspecto de serem gerativas, b) na característica de serem sintagmáticas, e, c) no intento de serem gerai. Trata-se de uma reflexão sobre as contribuições teórico-metodológicas da semiótica discursiva, bem como a identificação de suas limitações, para o estudo de corpus da cibercultura e, para tanto, serão analisados e discutidos discursos produzidos neste espaço de significação, que propicia ao enunciador a possibilidade de utilizar-se de uma ampla gama de diferentes planos de expressão, isolados ou sincreticamente, para concretizar a sua textualização e, assim, fazer com que a sua voz possa reverberar nos mais diferentes e distantes pontos do globo. Ao mesmo tempo, serão aceitos trabalhos que tratem de discussões acerca das relações entre enunciador-enunciatário, das estratégias de manipulação (persuasão/ convencimento), da construção de identidades, dos diálogos entre textos e discursos e das interações nas redes sociais.



Forma e função na gramática do português
Coordenador@s:
Dr. Edvaldo Balduino Bispo (UFRN) & Drª Medianeira Souza (UFPE)
As pesquisas linguísticas de cunho funcionalista tomam por base, em suas análises, contextos comunicativos reais e, com isso, contribuem significativamente para a descrição, a explicação e a interpretação dos fenômenos sob investigação. Evidenciam aspectos e motivações de natureza semântico-cognitiva e caráter pragmático-discursivo relacionados à gramática de uma língua natural, isto é, demonstram a relação motivada entre forma e função (GIVÓN, 1995). Acompanhando essa orientação, este simpósio focaliza estudos que investigam variados fenômenos linguísticos a partir de suas condições reais de uso, levando em consideração os diversos fatores sociointeracionais e cognitivos envolvidos nos arranjos morfossintáticos que assumem as construções linguísticas. O pressuposto é que a codificação de determinados elementos tem a ver com as funções que eles desempenham na interação discursiva e se relaciona diretamente aos propósitos comunicativos que se quer alcançar. (GIVÓN, 2001; FURTADO DA CUNHA et al, 2015). Assume-se a concepção de que os usos linguísticos resultam de modelos convencionalizados com base na interface linguagem, cognição e ambiente sócio-histórico. A inter-relação dessas três dimensões motiva a fixação de padrões gramaticais, via ritualização, a partir de ambientes interacionais específicos. Desse modo, o sistema linguístico tem uma natureza eminentemente dinâmica, já que surge da adaptação das habilidades cognitivas humanas a eventos de comunicação específicos e se desenvolve com base na repetição ou ritualização desses eventos.



Gramaticalização e Cognição: suas interfaces
Coordenador@s:
Drª Renata Barbosa Vicente (UFRPE) & Drª Cristina Lopomo Defendi (IFSP)
Este simpósio tem como objetivo reunir pesquisas que se utilizem dos variados aparatos teóricos da gramaticalização para o estudo de fenômenos linguísticos que, de acordo com a definição mais canônica, apresentam um percurso que os tornam gramaticais ou mais gramaticais [Heine, Claudi & Hünnemeyer (1991), Hopper e Traugott (1993)]. Dessa forma, a gramaticalização é vista como transformações que ocorrem na língua e que modificam a sua gramática, sendo um processo dinâmico e histórico de base metafórica, empreendido por palavras, expressões e construções em direção a uma abstratização funcional. Acrescenta-se, assim, a ideia de gramaticalização de construção, que implica, como na conceituação tradicional, aumento de frequência, alterações fonéticas e semânticas, culminada pela perda da noção de cada parte da construção. A despeito das mudanças ocorridas, traços (semânticos) relevantes permanecem na construção em uso e o contexto passa a ser parte da mudança e da compreensão. Levando em consideração esses aspectos, serão bemvindos trabalhos que (i) discutam as categorias gramaticais, (ii) dialoguem linguagem e cognição em uma perspectiva funcionalista, (iii) demonstrem como a língua é afetada pelo uso e o sistema linguístico pela experiência, demonstrando como os processos cognitivos de domínio geral podem dar origem aos fenômenos estruturais observados na gramática das línguas, (iv) análise da (inter)subjetividade das construções gramaticais e, por fim (v) trabalhos que de alguma forma demonstrem como estudos de gramaticalização e cognição têm sido aplicados ao ensino.



A aquisição e ensino de línguas por surdos: pautas para reflexões sobre aspectos do bilinguismo/plurilinguismo no Brasil
Coordenador@s:
Drª Wanilda Maria Alves Cavalcanti (UNICAP) & Dr. Norma Abreu e Lima Maciel de Lemos Vasconcelos (UFRPE)
Precisar quando os homens começaram a desenvolver comunicações que pudessem ser consideradas línguas não se constitui tarefa fácil. É possível afirmar que a raça humana está dividida nos espaços geográficos delimitados politicamente e cada nação tem sua língua ou línguas oficiais. Os países que possuem uma única língua oficial são politicamente monolíngues, os que possuem duas ou mais são bilíngues e/ou plurilíngues, como o Canadá que possui duas línguas oficiais (inglês e francês), a Suíça que possui quatro línguas oficiais (alemão, francês, italiano e reto-romano) dentre outros. Segundo Quadros (2010, p. 63) “o Brasil ainda é considerado um país monolíngue, um país que tem o português como língua oficial. No entanto, há vários grupos falantes de outras línguas caracterizando-se de fato um país plurilíngue”. Sendo assim, a afirmação de que existem minorias linguísticas em todos os países dificilmente será contestada, pois motivos diversos são encontrados nas sociedades, atualmente, devido à grande facilidade de mobilidade pelo uso de diversos meios de transporte, hoje muito mais rápidos, facilitando os deslocamentos. Além disso, um movimento migratório intenso, cotidianos extremamente difíceis, fome, miséria determinaram a fuga da população de muitos países em busca de abrigo, criando nesses novos locais núcleos de comunicação em meio a línguas oficiais já existentes nos países acolhedores. O tema central desse simpósio trata da aquisição e ensino de línguas adicionais no contexto da surdez, uma vez que existem diversos aspectos da comunicação de surdos que precisam ser esclarecidos, especialmente quando pautamos esse tema. Esse processo pode apontar um número significativo de questões que envolvem os sujeitos do estudo como também apresentar dificuldades ainda existentes no ensino de línguas para surdos diante da fragilidade na formação docente. Portanto, a proposta desse simpósio temático busca ampliar os espaços de discussões para tantas questões que ainda se encontram sem a devida superação.



Argumentação em gêneros orais e/ou escritos
Coordenador@s:
Drª Marcela Regina Vasconcelos da Silva Nascimento (UPE) & Dirce Jaeger (UPE)
O objetivo deste simpósio é reunir pesquisas que tenham como objeto de estudo gêneros de cunho argumentativo. Partimos do princípio de que o uso da linguagem ocorre através de textos, os quais se realizam por meio de gêneros, em situações sociocomunicativas específicas, envolvendo sujeitos ativos, com papéis sociais determinados e propósitos comunicativos definidos. Adotando a perspectiva de acordo com a qual o texto pode ser considerado o próprio lugar da interação entre esses sujeitos (KOCH, 2002, 2006), é primordial ter em vista que os sentidos não se encontram depositados na superfície textual, mas são estrategicamente construídos pelos sujeitos no curso das práticas interacionistas. Reconhecer a linguagem como interação implica considerar que as práticas comunicativas estabelecem relações entre os interlocutores, revelam efeitos de sentido, desencadeiam reações verbais e não verbais. Portanto, nenhum uso da linguagem é neutro. Os enunciados produzidos no âmbito dessas práticas são orientados por intenções, de modo que todo discurso apresenta uma dimensão argumentativa, embora alguns possam explicitar a natureza argumentativa e outros não (FIORIN, 2017). Consequentemente, a argumentatividade se faz presente em todos os gêneros (KOCH, 2017). Diante disso, neste simpósio, abre-se espaço para a discussão de trabalhos que levem a refletir acerca de nossas práticas argumentativas, investigando a construção da argumentação em diversos gêneros, orais e/ou escritos.



(Multi)letramentos e crítica: a urgência do debate para o ensino de línguas
Coordenador@s:
Drª Larissa de Pinho Cavalcanti (UFRPE) & Drª Bruna Lopes Fernandes Dugnani (UFRPE)
O objetivo desse Simpósio é compartilhar desenvolvimentos teórico-metodológicos bem como propostas de trabalho e pesquisas que se voltem para perspectiva crítica de (multi)letramentos em ensino de línguas. Para isso, convidamos professores da educação básica e ensino superior, bem como alunos de programa de pós-graduação e da graduação a contribuir com propostas que poderão incluir desde pesquisa de natureza bibliográfica, documental, etnográfica, estudo de campo, documental e/ou pesquisa social de natureza qualitativa. Dessa maneira, esperamos que as comunicações organizadas neste simpósio pensem a formação (inicial e continuada) de professores e as próprias aulas de línguas, como espaços de negociação de sentidos e sensibilidade pautados nas mudanças provocadas pelo surgimento e pela adição de novos elementos de composição, novas tecnologias e formas de organizar e expor textos e discursos. Com isso, prezamos pela necessidade de pensar estratégias que visem articular as variadas linguagens e seus recursos, levando em consideração as dificuldades da escola brasileira de propor reflexões e práticas em sintonia com as atividades de linguagem dos alunos em sua diversidade cultural. Pensando na escola como um espaço naturalmente perpassado por diversidades sociais e culturais, esperamos abrir lugar para o diálogo pautado em dois tipos de multiplicidade: a cultural das populações e a semiótica de constituição dos textos por meio dos quais ela se informa e se comunica para pensar as línguas e seus ensinos como diretamente relacionadas a expressões de subjetividade, identidade e cultura, por um lado e de modelagens semióticas, por outro. São norteadores dessa proposta: Cope e Kalantzis (2000, 2006), Moita Lopes (2002, 2003, 2017), Shin e Kubota (2008), Kramsch (2011), Pennycook (2001, 2015), Rojo (2012, 2013).



Processamento linguístico e interfaces
Coordenador@s:
Dr. Márcio Martins Leitão (UFPB) & Drª Mahayana Cristina Godoy (UFRN)
A proposta do Simpósio sobre Processamento Linguístico atende ao fato de que estudos no campo da Psicolinguística Experimental tem crescido no Brasil, com a criação de novos laboratórios dedicados à pesquisa nessa área. A partir dessa constatação, o simpósio tem como objetivo dar visibilidade ao que tem sido feito em âmbito nacional sobre o tema, além de fomentar a discussão e o debate teórico-metodológico entre os que trabalham nesse campo. Para isso, pretende-se agrupar trabalhos que versem sobre o processamento linguístico nos vários níveis de descrição estrutural e/ou suas interfaces. Assim, serão aceitos trabalhos que foquem a aquisição e/ou o processamento de informação fonética-fonológica, modelos de léxico mental e teorias de acesso e representação lexical, modelos e teorias de parser que contemplem o componente sintático da gramática, e o processamento de informação de cunho semântico e pragmático. Serão considerados trabalhos que abordem essas questões a partir de temas relacionados ao processamento de linguagem em adultos, à aquisição da linguagem, ao processamento linguístico por sujeitos portadores de patologias de linguagem, e aos fenômenos relacionados ao processamento linguístico em bilíngues. Convidam-se, especialmente, submissões que se situem na interface entre a Psicolinguística e a Educação, em particular no que se refere ao modo como as investigações psicolinguísticas podem auxiliar a compreensão dos processos de leitura, dificuldades de aprendizagem linguística e ensino de gramática. Os trabalhos devem se enquadrar não só no tema do processamento linguístico, na forma como aqui descrita, mas devem também utilizar metodologia experimental em algumas das várias técnicas off-line e on-line existentes. Portanto, independente da perspectiva teórica adotada para tratar dos temas relacionados, os trabalhos devem assumir uma metodologia experimental de investigação. Além disso, espera-se a participação de pesquisadores que possam prover insights sobre o processamento linguístico advindos de áreas afins, como a Psicologia Cognitiva e a Neurociência da Linguagem.



Ensino de língua portuguesa: contribuições das tecnologias digitais
Coordenador@s:
Drª Roberta Varginha Ramos Caiado (UNICAP) & Drª Angela Valéria Alves de Lima (UFRPE)
O presente simpósio se propõe a refletir sobre as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) e o ensino de Língua Portuguesa, a partir das práticas de sala de aula que buscam relacionar as TDIC com o processo de (Multi)Letramento escolar, com base teórica fundamentada na Linguística Textual, na Linguística da Internet e na Pedagogia dos Multiletramentos. O surgimento das tecnologias digitais da informação e comunicação permite novas formas de expressão e de (inter)relação entre os sujeitos em atividades de linguagem sócio e historicamente situadas, as quais se concretizam em gêneros de textos variados, conforme a natureza das diversas situações comunicativas das quais participam os interactantes. Assim, as inúmeras possibilidades propiciadas pelo uso dasferramentas tecnológicas, novos aplicativos, novos suportes para a circulação de gêneros da hipermídia, novas modalidades de leitura e de escrita na Rede, bem como processos de gamificação precisam ser estudadas e compreendidas nos mais diversos contextos escolares (ROJO, 2013). Dentro da instituição escolar, as necessidades do mundo contemporâneo levam ao desenvolvimento de novas habilidades e competências, que requerem outras habilidades, principalmente, na seara das tecnologias digitais, para inserção do sujeito cognoscente em práticas sociais que demandam seu uso. Nesse sentido, desaparecem as fronteiras entre a escola e o ciberespaço, e as TDIC tornam-se meios para o ensino (CAIADO, 2015). Neste simpósio temático, buscamos o diálogo e a partilha de experiências sobre o ensino de língua portuguesa e o uso das tecnologias digitais, focados no processo de (multi)letramento escolar, com o objetivo de possibilitar a divulgação de pesquisas que investigam as práticas de sala de aula voltadas para a interrelação entre as novas tecnologias e o trabalho com a produção, leitura e escuta de gêneros textuais.



Salto na qualidade da alfabetização no Norte e Nordeste: relatos de experiências
Coordenador@s:
Drª Leonor Scliar Cabral (UFSC) (UNICAP) & Drª Mariléia Silva dos Reis (UFS)
O Sistema Scliar de Alfabetização para a leitura e a escrita vem sendo aplicado, desde 2017, em Lagarto (SE) e São José da Laje (AL) e, desde 2018, em Capinzal (MA). No Simpósio “Salto na qualidade da alfabetização no Norte e Nordeste: relatos de experiências” serão relatadas tais experiências vitoriosas. Propõe-se expor e debater as narrativas advindas das mais recentes aplicações do Sistema Scliar de Alfabetização, no Nordeste e Norte do país. Conforme amplamente divulgado, na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2016 (INEP, 2017), foram avaliados 2.160.601 alunos ao término do 3º ano do Ciclo de Alfabetização, nas escolas públicas brasileiras, em leitura e escrita, dos quais somente 12,99%atingiram o nível desejável (4) em leitura e apenas 8,28% atingiram o nível desejável (5) em escrita. Ressalte-se que Sergipe foi o estado que apresentou o pior desempenho em leitura e Alagoas, o pior, em escrita. No Amazonas, o índice desejável (nível 4) em leitura foi de 7,49%. Isto nos alerta para a necessidade de buscar referenciais recentes das ciências da linguagem, novas metodologias e material pedagógico adequado, que embasem a formação continuada dos alfabetizadores, a partir de experiências que deram certo, como a de Lagarto, em 2017, quando a quase totalidade das 70 crianças de três classes, ao término do 1º ano de escolas da periferia do EF se tornou fluente e com gosto pela leitura.



Literatura feminina: figurações e autoria
Coordenador@s:
Dr. Kleyton Ricardo Wanderley Pereira (UFRPE) & Dr. Rogério Fernandes dos Santos (USP)
Este simpósio propõe construir um espaço de estudo e reflexão sobre as literaturas em que o feminino se evidencia enquanto expressão de uma subjetividade; figuração de um ser social, cultural e político e de autoria feminina. Para tanto, põe em revista formulações e concepções do fenômeno literário à luz da emergência dos processos identitários, dos estudos feministas e subalternos e dos novos modelos de análise comparativa. Serão acolhidas pesquisas dedicadas a compreender e especificar os modos pelos quais a figura feminina foram construídas ao longo da história literária e o momento de virada e empoderamento epistemológico ocorrida nas últimas décadas.



Tradição e renovação: a literatura infantojuvenil na contemporaneidade.
Coordenador@s:
Dr. Marcelo Ferreira Marques (UFAL)/ Drª Karla Renata Mendes (UFAL)
A autora e ilustradora de livros infantis Eva Furnari, em entrevista publicada em Traço e Prosa (2012), livro que reúne diversos escritores(as) e ilustradores(as), afirma que o contato precoce das crianças com boas ilustrações tende a ampliar suas percepções artísticas ao longo dos anos. Por outro lado, John Rowe Townsend, citado por Peter Hunt em Crítica, Teoria e Literatura Infantil (2010), aponta que “A única definição prática de um livro infantil hoje – por absurdo que pareça – é ‘um livro que figura na lista de infantis de uma editora’”. Tais considerações incidem sobre dois fatos importantes. Em primeiro lugar, um bom livro infantil (com ilustração, ilustrado ou não) não tem restrições de idade (coisa de que sofrem os livros para adultos, seja pela temática ou pela linguagem empregada). Em segundo lugar, os limites que definem o que é e o que não é literatura infantil ou infantojuvenil não são precisos; oscilam e dilatam-se conforme as necessidades culturais, de época e, muitas vezes, de mercado. Nesse sentido, podemos dizer, especialmente nós, os(as) que nos dedicamos a estudar esse universo, que Literatura Infantil e Infantojuvenil não é apenas coisa de criança. Para além das oportunidades de fruição, surpresa e deleite com essas obras, há também um vasto campo de aprendizado e pesquisa, que se renova constantemente. O presente simpósio pretende abrigar trabalhos que estejam ancorados no âmbito da literatura infantil e infantojuvenil ou que com ele criem zonas de contato e tensão: de temas tradicionais como a amizade a temas menos comuns como a morte; de livros virtuais e animados a obras que apresentem relações complexas entre palavra e imagem; de pesquisas em andamento a relatos de experiências.



LITERATURA, CULTURA E ENSINO DE LITERATURA NAS INTERFACES DO TEXTO LITERÁRIO COM AS ARTES E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS
Coordenador@s:
Dr. José Jacinto dos Santos Filho (UPE-Campus Mata Norte) / Dr. Márcio Ferreira da Silva (UFAL-Campus Sertão)
O ensino de literatura, nos dias atuais, tem exigido do professor um olhar mais atento sobre suas ações em sala de aula com o texto literário e sobre a forma como esse texto está sendo intermediado e veiculado nos novos suportes tecnológicos para a formação do leitor. Dialogar sobre o ensino de literatura é também refletir sobre as várias relações que o texto literário mantém com as artes e as novas tecnologias digitais. Ou seja, é interligar um diálogo crítico e epistemológico entre literatura, artes e tecnologia digital. Neste sentido, consideramos fundamental a compreensão das diversas maneiras como o texto literário está sendo veiculado e suas implicações para a leitura e a formação do leitor. Assim, o objetivo desse simpósio é fazer uma ampla reflexão sobre os estudos teóricos e/ou o ensino de literatura, considerando as várias interrelações do texto e das categorias literárias, compreendendo a intersemiose, a intermidialidade, as interartes, os estudos de base cultural e suportes tecnológicos como espaços onde a criatividade ganha força e expressão.



Ensino de língua portuguesa e formação de professores
Coordenador@s:
Drª Mônica de Souza Serafim (UFC)/ Drª Áurea Suely Zavam (UFC)
Este simpósio se destina a pesquisadores, estudantes e profissionais da educação, interessados em discutir questões, quer teóricas, quer analíticas, que se voltem para o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa, em seus quatro eixos – leitura, escrita, oralidade e análise linguística – bem como para a formação de professores de língua materna. Ainda que os pressupostos teóricos de base sejam os do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), o simpósio não restringirá única e exclusivamente a essa vertente teórica, de modo que serão muito bem acolhidas propostas que recorram a outros princípios teórico-metodológicos, pois, em síntese, o que se pretende é fomentar a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem da língua e consequentemente sobre práticas pedagógicas. Com isso, espera-se favorecer o diálogo entre as diversas vozes que atravessam e norteiam o fazer docente. Deve-se salientar que também estão no escopo deste simpósio estudos que consideram a inserção de tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa. O que se pretende, portanto, é que as reflexões gestadas neste simpósio possam, de alguma forma, contribuir para a formação docente de modo a repercutir no desenvolvimento das habilidades e competências dos alunos, o que lhes possibilitará operar sobre a própria linguagem e por conseguinte tornarem-se produtores eficientes de sua língua.



Estudos do léxico na era digital: novos horizontes em velhos caminhos.
Coordenador@s:
Dr. Halysson Oliveira Dantas (Centro Universitário Unifanor/Wyden) / Dr. Antônio Luciano Pontes (UEC)
Os avanços da tecnologia da informação, nos últimos anos, têm apontado para a liquidez cada vez mais frequente dos conteúdos e dos sentidos (BAUMAN, 2000). No curso da quebra dos grilhões que a modernidade nos impõe, o sedimentado terreno das certezas e dos princípios abre espaços à automatização das práticas sociais por meio das mídias digitais. Eis o desafio moderno: o que é factual e o que é falseado? A busca, pois, por fontes confiáveis de informação cresce, face à força das fluídicas pós-verdades e fakenews. Diante deste cenário, qual seria o papel de obras de referência como os dicionários e as enciclopédias para que os indivíduos possam caminhar sobre as águas dos sentidos sem submergir? Em outras palavras, embora haja um sem-número de obras lexicográficas na web, cabe a indagação sobre quais as bases teóricometodológicas que sustentaram sua produção e se estas dialogam com os princípios da lexicografia. Assim, frente à revolução digital (LÉVY, 2000) que traz em si uma gama de outras revoluções, reverberadas no surgimento de novas práticas sociais e discursivas, as quais demandam o desenvolvimento de múltiplos letramentos (STREET, 2003), propõe-se que os estudos do léxico discutam a produção, a disseminação e a avaliação das obras lexicográficas em meios impressos e digitais. Norteando essa discussão, está o fato de que diversos gêneros discursivos se reelaboram (BAKHTIN, 2003) na mudança do meio impresso para o digital. Além disso, o desenvolvimento acelerado da informática nos últimos tempos, o qual tem propiciado a potencialização de certas tarefas que, nas práticas discursivas mediadas por textos impressos, exigiam trabalho braçal, demorado e dispendioso (BUZATO, 2009), ganha uma nova dimensão. Neste sentido, as Ciências do Léxico, quais sejam, Lexicologia, Lexicografia, Terminologia e Terminografia reclamam seu lugar nas discussões acerca das relações entre as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) e a pesquisa em Linguística. Este simpósio, pois, tem como objetivo central difundir investigações científicas cuja essência leve em conta a relação citada acima, em especial, no que diz respeito à produção e análise de dicionários eletrônicos (SCHRYVER, 2012), de língua comum ou de especialidade, e à comparação deste tipo de obra com as que se produzem para meio impresso; assim como o uso de tratamento informático para a catalogação e compilação de corpora lexicográficos e terminográficos. Ademais, faz-se necessário a ligação entre os estudos do léxico e de seus aspectos multissemióticos. Noutra direção, a disseminação de trabalhos que envolvam a relação supracitada se justifica ainda pela possibilidade de se inserir nos discursos pedagógico e acadêmico brasileiros a desmitificação do dicionário e o debate sobre seu uso como instrumento de catalogação e difusão dos saberes nas diferentes áreas do conhecimento.



Narrativa contemporânea: rediscussão, renovação, transgressão
Coordenador@s:
Drª Cícera Antoniele Cajazeiras Da Silva (Universidade Federal Rural do Semi-Árido) / Dr. Pedro Fernandes Oliveira Neto (Universidade Federal Rural do Semi-Árido)
Em The literature of exhaustion, ensaio de 1967, John Barth afirma que as convenções artísticas são passíveis de subversão, defendendo ainda que essa seria uma condição para a construção de uma dinâmica de renovação do discurso literário. Alinhando-se às transformações culturais que se delineiam a partir de meados do século XX, a narrativa literária contemporânea revisita o passado, volta-se para si mesma, questiona e transgride paradigmas, em busca de sua própria permanência e até mesmo sobrevivência, demonstrando – e expondo – uma consciência aguçada da literatura enquanto processo. De acordo com Linda Hutcheon, em Narcissistic narrative: the metaficcional paradox, publicado em 1980, essa tendência à reconsideração dos meios de representação identifica a ficção que se pretende “nova” como narrativa narcisista, isto é, ficção que, ao se entender como tal, elege esse aspecto como discussão a ser inserida na própria composição do texto e como elemento fundamental à sua significação. Já Patricia Waugh, em Metafiction: the theory and practice of self-conscious fiction, texto de 1984, reafirma a estreita ligação entre ficção e crítica, mas também chama atenção para o fato de que, chamando atenção para a natureza artificial de procedimentos e elementos constituintes, a narrativa propõe também o questionamento dos limites de realidade e ficção, sugerindo que o que se conhece como realidade é também constructo. A narrativa contemporânea evidencia-se como o entrecruzamento de discursos que têm em comum a inquietação diante de padrões consagrados pela tradição e seu consequente desnudamento, que se materializa por meio da exposição ostensiva desses artifícios que leva ao elastecimento dos aspectos distintivos dos gêneros literários e à desconstrução/reconstrução de noções aparentemente cristalizadas, como autor, narrador e leitor. Dessa forma, o presente simpósio temático pretende acolher estudos sobre textos literários narrativos (novelas, contos, romances) contemporâneos e suas diversas feições com o objetivo de discutir os rumos da narrativa – e, por conseguinte, do discurso literário – em tempos de transformação.



Cultura escrita: histórias, práticas, leitores e escritores
Coordenador@s:
Drª Laurenia Souto Sales (UFPB)/ Dr. Thiago Trindade Matias (UFAL)
Com este simpósio, objetivamos reunir propostas de trabalho que focalizem as práticas sociais e culturais de leitura e de escrita em diferentes contextos e em diferentes épocas. Pretendemos também ser um espaço de diálogo entre áreas conexas que se voltam para o estudo com e sobre o arquivo, para a história e o papel das bibliotecas em momentos e lugares distintos e para a concretude do escrito, tomado em sua materialidade. Partimos da compreensão de que os usos da cultura escrita nas diferentes sociedades e em diferentes períodos históricos nos ajudam a entender os diferentes modos de acesso à cultura escrita, considerando os sujeitos das práticas de ler e escrever, o lugar onde essas práticas se desenvolvem, seus meios de difusão, as diferentes materialidades do escrito. Entendemos, com Chartier (2002), que é preciso identificar “[...] o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler.”, pois os modos como determinados sujeitos têm/tiveram acesso ao escrito, por exemplo, revelam formas escolares – que nos falam da história da educação – e não escolarizadas – que nos dizem dos diferentes modos ou das diferentes dinâmicas de circulação do escrito na sociedade. Na interface entre os estudos da história da leitura e da escrita, da história da educação formal e os estudos culturais, acreditamos ser possível aprofundar um debate.



ASPECTOS VARIACIONAIS DE FENÔMENOS MORFOSSINTÁTICOS E FONÉTICO-FONOLÓGICOS DA LÍNGUA PORTUGUESA
Coordenador@s:
Edmilson José de Sá – CESA/UPE / Fernando Augusto de Lima Oliveira – UPE
Este simpósio busca reunir trabalhos desenvolvidos no âmbito da descrição e análise linguística, que contribuam para o melhor entendimento da variação de fenômenos morfossintáticos e fonético-fonológicos da língua portuguesa falada no Brasil. Assim, pretende-se reunir trabalhos que tratem desses fenômenos quer explicados pela Sociolinguística (LABOV, WEINREICH; HERZOG,1968; LABOV, 1966; 1972; 1983; 1994; 2001), que permite explicar a variação dos fenômenos sob a égide social, com base na interferência do sexo, da faixa etária e da escolaridade; quer explicados pela Dialetologia (FERREIRA; CARDOSO, 1994), que, usufruindo do método da Geolinguística (CARDOSO, 2010), permite a compreensão da língua à luz da dimensão espacial, incluindo a possibilidade de refletir sobre as peculiaridades do falar característico de comunidades tradicionais de que fazem parte os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Também poderão ser aceitos trabalhos que compartilhem discussões baseadas em corpus literário, de modo a verificar que aspectos regionais ou sociais justificam a variação fonético-fonológica e/ou morfossintática encontradas em produções literárias que transmitam traços distintivos do falar nordestino. Dessa forma, pretende-se compartilhar pesquisas oriundas de diferentes instituições de ensino superior que auxiliem na compreensão do grau de diversidade e de variação do português brasileiro, além de registrar, mais enfaticamente, os aspectos que justificam tanto a inovação dos fenômenos mais acentuados nos falares descritos quanto a conservação dos mesmos.



Análise do Discurso: Linguística, Materialismo Histórico e Psicanálise
Coordenador@s:
Dr. Helson Flávio da Silva Sobrinho (UFAL)/ Drª Maraisa Lopes (UFPI)
Este Simpósio receberá trabalhos que tratem dos pressupostos teóricos e metodológicos da teoria da Análise de Discurso (AD), na perspectiva de Michel Pêcheux. Conhecida nas instituições brasileiras como a teoria que trabalha nos entremeios (ENI ORLANDI), a Análise do Discurso, atua, desde sua fundação na França, na contradição de três áreas do conhecimento: Linguística, Materialismo Histórico e Psicanálise. Nessa perspectiva, a AD se põe contraditoriamente, com ressignificação, rupturas e deslocamentos, entre os conceitos de Língua, História, Ideologia e Inconsciente para tratar do discurso e do sujeito. Da maneira como vem sendo desenvolvida, a AD considera que há um real da língua, da história e do sujeito e que o sentido é produzido nas relações sócio-históricas de reprodução/transformação das condições materiais de produção e tem a ver com as posições ideológicas em lutas em uma determinada conjuntura. Assim, este simpósio espera receber trabalhos, em suas diversidades e singularidades, que discutam as dimensões teóricas desse saber sobre a linguagem e façam avançar a reflexão consistente sobre o discurso enquanto objeto sócio-histórico. Esperamos ainda trabalhos que possam também desenvolver práticas metodológicas rigorosas entre a descrição e interpretação diante das inúmeras materialidades significantes na atualidade. Por fim, esperamos trabalhos que, sobretudo, sustentem, em sua escrita, o caráter político da Análise do Discurso peuchetiana.



Linguagem, identidades e experiências afro-diaspóricas: diálogos (im)possíveis
Coordenador@s:
Drª Kassandra da Silva Muniz (UFOP)/ Drª Ana Lúcia Silva Souza (UFBA)
Este simpósio objetiva reunir trabalhos em andamento ou concluídos que estabeleçam relação entre linguagem e a experiência afrodiaspórica no mundo. Desse modo, nos interessam pesquisas que dialoguem com o campo da Linguística Aplicada, no entanto – sem necessariamente se ater a ela - mas que abram perspectivas das mais diversas. Pesquisas no campo da Literatura, Antropologia, Sociologia, Educação e Linguística serão bem-vindas. No atual contexto político brasileiro de maior visibilidade do acirramento racial com polêmicas e debates acontecendo cotidianamente em redes sociais e também dentro de instituições escolarizadas, os diálogos tem se tornado cada vez mais (im) possíveis. Ao mesmo tempo em que temos um acirramento de conflitos e tensões, temos visto trabalhos, ações e iniciativas que visam entender esse novo contexto de “superdiversidades” no Brasil e fora dele. Não há dúvidas de que quando aliamos questões de linguagem à migrações, pertencimento étnico-racial, gênero e sexualidade em nosso país, dados os números alarmantes de violência simbólica e física contra negrxs, trans, mulheres, gays e pessoas de religiões não cristãs, esse cenário se torna mais complexo. Como esse fenômeno não ocorre apenas no Brasil, é importante a aproximação com pesquisas e experiências internacionais que estejam tratando da temática. Embora estejamos interessadas em pesquisas afrodiásporicas, este simpósio também se propõe a acolher comunicações para além das questões étnico-raciais, expandindo, assim, o escopo dos trabalhos que relacionam o campo da linguagem e os estudos sobre identidades.



LETRAMENTOS DIGITAIS E ENSINO DE LÍNGUAS: AS FRONTEIRAS ENTRE A ESCOLA E A SOCIEDADE
Coordenador@s:
Dr. José Ribamar Lopes Batista Júnior (UFPI)/ Dr. Vicente Lima-Neto (UFERSA)
O conceito de escola e de prática educacional tem mudado nas últimas décadas, extrapolando a formação acadêmica e caminhando rumo à construção de habilidades. Nessa trajetória, comunidades e alunos que não eram contemplados pelas políticas educacionais puderam adentrar à instituição, aumentando a participação dos indivíduos em práticas escolarizadas. Os usos digitais, além de terem aumentado a complexidade do fluxo de informações, dispõem da capacidade de influenciar hábitos, fazendo emergir novos gêneros textuais que são produzidos para atender às novas demandas. Para encurtar as fronteiras entre escola e sociedade, os usos digitais da leitura e da escrita vêm sendo a principal ferramenta nesse processo que tanto é inclusivo como capacitador. A vida digital e os textos digitais permitem a confluência de esforços no campo da leitura e da escrita, na medida em que a escola, ao assimilar tais usos, dá contornos sociais significativos ao fazer estudantil. Os projetos de letramento (leitura e escrita) associados às tecnologias digitais oferecem a possibilidade de superar as barreiras de tempo e espaço nas interações e requererem pouco ou nenhum recurso financeiro. Nesse sentido, este simpósio temático pretende reunir pesquisadores e professores empenhados na articulação entre letramento digital e ensino vinculados a diferentes campos e vertentes teóricas, que tenham como objetivo compartilhar experiências de sala de aula ou propor avanços teóricos ou epistemológicos para o processo de ensino e aprendizagem mediado pelas tecnologias.



TRÂNSITOS E INFLEXÕES NAS LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA E DE LÍNGUA ESPANHOLA
Coordenador@s:
Dr. Samuel Anderson de Oliveira Lima (UFRN)/ Drª Leila Maria de Araújo Tabosa (UERN)
Este Simpósio temático tem o propósito de congregar estudos nas literaturas de língua portuguesa e nas literaturas de língua espanhola dos séculos XX e XXI, com discussões que contemplem trabalhos com base em historiografia literária, fortuna crítica e análise teórica dos objetos eleitos. O trânsito e as inflexões possuem um eixo teórico aberto em Literatura Comparada que abraça prosa e poesia: influxos das literaturas brasileira-portuguesa-africana, tendências da literatura portuguesa contemporânea, relações comparatistas entre literaturas de língua portuguesa, estéticas contemporâneas da literatura africana; interfaces nas literaturas ibero-americanas, aspectos da vanguarda latino-americana, a Generación del 27 e o barroco moderno, relações comparatistas entre literaturas de língua espanhola. São inspirações para este trabalho os autores de literaturas de língua portuguesa: Mia Couto, Noémia Souza, Pepetela, Sophia de Mello Breyner Andressen, Florbela Espanca, Paulina Chiziane, Guimarães Rosa, Carolina de Jesus, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, José Saramago, dentre outros. Das literaturas de língua espanhola, os autores que nos inspiram são: Gabriel García Marques, Julio Cortázar, Carpentier, Federico García Lorca, Severo Sarduy, José Gorostiza, José Lezama Lima, Luis Cernuda, Jorge Guillén, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Isabel Allende, Victoria Ocampo, Gabriela Mistral, Carlos Fuentes, Octavio Paz, entre outros. Para isso, nosso Simpósio toma por base os estudos teóricos de Mata (2003), Padilha (2002), Reyes (2010), Augel (2007), Cacho (2009), Hamburger (2007), Eco (2010).



AQUISIÇÃO E DESVIOS DE LINGUAGEM SOB A ÓTICA LINGUÍSTICO-DISCURSIVA
Coordenador@s:
Drª Isabela Barbosa do Rêgo Barros (UNICAP)/ Drª Nadia Pereira da Silva Gonçalves de Azevedo (UNICAP)
Este Simpósio se propõe a reunir trabalhos que discutam a aquisição, singularidades e desvios de linguagem, a partir da posição linguístico-discursiva, em dois campos do saber: a Linguística da Enunciação, fundamentada em Benveniste e a Análise do Discurso de linha francesa (AD), sob a ótica de Pêcheux, Orlandi e seguidores. A Linguística da Enunciação e a Análise de Discurso de linha francesa aproximam-se quanto aos conceitos de sujeito e linguagem, uma vez que ambas supõem um sujeito que é constituído na e pela linguagem. As abordagens linguísticas, entretanto, não dão conta de questões específicas dos desvios da linguagem. Obviamente, elas não teriam mesmo que olhar o desvio, uma vez que não se propõem a isto. Mas, e quando as crianças possuem alguma dificuldade na aquisição da linguagem oral ou escrita? E quando gaguejam? E quando esta linguagem é deteriorada por uma lesão neurológica, ou de outra ordem? É o que planejamos discutir neste Simpósio, que se caracteriza como espaço para fomentar ideias em torno da linguagem em sua forma nascente, em evolução e em estado de dissolução. Nesse sentido, pretendemos reunir trabalhos que se voltem a discussões em torno da aquisição, singularidades e desvios de linguagem por duas vias: 1) do sujeito que cada vez que utiliza a língua assume o lugar de “eu” no discurso, compreendido como os arranjos linguísticos estabelecidos pelos sujeitos ao tomarem a língua e a colocarem em movimento. 2) do sujeito afetado pelo inconsciente e pela ideologia, que (se) marca no equívoco e na falha na linguagem, notadamente embasado pela AD. Desta forma, acolhemos trabalhos que contribuam para o debate com dados empíricos e de análise de corpora, a partir dessas abordagens teórico-metodológicas.



Políticas linguísticas educacionais para o ensino de Português
Coordenador@s:
Dr. Ewerton Ávila dos Anjos Luna (UFRPE)/ Drª Hérica Karina Cavalcanti de Lima (UFRPE)
Esse simpósio tem por objetivo debater sobre questões relacionadas às políticas educacionais voltadas ao ensino de Língua Portuguesa, sejam elas: documentos oficiais que norteiam a prática do professor, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC); livros didáticos e o Programa Nacional do Livro de Didático (PNLD); diretrizes, resoluções, orientações e pareceres que regulam os cursos de Licenciatura em Letras-Português; programas como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e o Programa de Residência Pedagógica (PRP); e as próprias práticas pedagógicas realizadas pelos professores de Português. Esta última tem considerável importância porque entendemos o contexto da escola como locus para educação linguística do cidadão e os docentes como ocupantes, através de suas práticas, de papel fundamental para implementações, negociações e recriações de políticas linguísticas (GARCÍA & MENKEN, 2010). Considerando as esferas apontadas por Spolsky (2004) quanto à Política Linguística relacionada às escolhas e aos comportamentos observáveis dos falantes (prática), ao que os falantes pensam sobre suas práticas linguísticas (crenças), e aos esforços explícitos de um grupo/indivíduo que possui autoridade para tentar interferir nas práticas e crenças dos falantes (gestão); e considerando a prática como o espaço de apropriações, tensões e articulações vividas pelos docentes (em formação ou não) para promover a educação linguística dos alunos, destacamos a ênfase desse simpósio no âmbito da gestão, no que se refere às políticas linguísticas educacionais, e no âmbito das práticas de ensino de Língua Portuguesa, no que concerne à necessária reflexão sobre o saber-fazer docente. Sendo assim, receberemos pesquisas concluídas ou em andamento que discutam sobre documentos oficiais sobre o ensino de língua materna e a formação de professores, PNLD e livros didáticos, programas institucionais de formação docente em Letras e práticas de professores que articulem os diferentes eixos de ensino da língua.



LINGUÍSTICA HISTÓRICA, TRADIÇÕES DISCURSIVAS E VARIAÇÃO
Coordenador@s:
Dr. Jorge Augusto Alves da Silva (UESB)/ Drª Márcia Amélia de Oliveira Bicalho (UNIEURO)
A Linguística Histórica no século XXI vê paulatinamente ampliar-se seu horizonte de interesses. Houve tempo em que a metaplasmia e as equações metracrônicas eram o fim de certos estudos históricos. Hodiernamente, os que se dedicam à Linguística Histórica abarcam estudos marcados no tempo, em textos escritos e em textos orais, procurando identificar os traços de mudança que levaram as línguas a estágios sucessivos, interessando-se pela fonologia, pela morfologia, pela sintaxe, pelo texto, pelo discurso e pelo léxico. Nossa proposta pretende reunir estudos que tenham como ponto central o eixo temporal em que estágios sucessivos de uma dada língua possam apontar para a configuração de estados anteriores e posteriores. Este GT agrega, portanto, trabalhos que discutem a historicidade das línguas românicas, linguística histórica, linguística textual e tradições discursivas.



LETRAMENTOS, SABERES E IDENTIDADES: POR UMA COMPREENSÃO DO AGIR DOCENTE EM DIFERENTES CONTEXTOS
Coordenador@s:
Betânia Passos Medrado – UFPB / Walison Paulino de Araújo Costa - UFPB
Compreender o trabalho docente é um processo que se constrói, por meio da linguagem, de diferentes formas: na formação inicial, a partir das vivências de graduando nas disciplinas e práticas de estágio, em programas como o PIBID, a Residência Pedagógica; nas formações continuadas, experienciadas pelo professor em vários momentos da sua vida profissional; e no cotidiano da prática docente, a partir da interação com os diversos coletivos (alunos, colegas de profissão, gestores, supervisores pedagógicos e com a comunidade escolar como um todo). Além disso, no território das formações e da prática docente, o professor assume papéis de acordo com os seus lugares sociais, tais como: o de professor da Educação Básica, o professor de Ensino Superior, o professor de cursos de idiomas, o professor-formador, o professor-estagiário etc. Nesse sentido, podemos dizer que são várias as dimensões mobilizadas desse profissional – afetiva, cognitiva, interativa, biológica e social –, possibilitando diversas interpretações acerca do agir docente. Este simpósio tem por objetivo reunir pesquisas que investiguem aspectos referentes à linguagem e ao trabalho do profissional do ensino sob diferentes ângulos e aportes teórico-metodológicos. Serão aceitas propostas de investigação, concluídas ou em andamento, e de relatos de experiência que discutam temas como letramento docente, construção identitária, saberes docentes e práticas escolares na interface com o ensino de línguas, no contexto presencial ou a distância.



CULTURA, DISCURSO E ENSINO
Coordenador@s:
Acauam Silvério de Oliveira – UPE / Jaciara Josefa Gomes - UPE
Diferentes grupos sociais, posicionados em diferentes lugares de poder, disputando a produção de seus significados e definindo suas identidades sociais e culturais são relevantes para compreensão da sociedade atual porque afetam as relações de cultura, além de se constituírem em formas de resistência. Essa dimensão da cultura, como campo de produção de significados, constitui-se em uma área representativa da noção de estudos culturais. Estes são entendidos como um posicionamento político-intelectual, como um campo interdisciplinar em que são analisadas e comparadas problemáticas teóricas, mais especificamente, aquelas relacionadas às conexões entre significados, cultura, identidade e poder. Posto isso, pretendemos, neste simpósio, reunir trabalhos que investiguem o conjunto de práticas sociais presentes nas mais diferentes linguagens estéticas, na perspectiva tanto dos estudos culturais quanto das diversas vertentes de análise social da cultura (pós-estruturalismo, pós-marxismo, teoria queer, desconstrução, feminismo, estudos pós-coloniais), bem como práticas discursivas no viés dos estudos críticos do discurso, relacionando-as em alguma medida ao ensino de Língua Portuguesa. Nesse campo, são bem-vindas investigações sobre identidades de raça e de gênero, bem como questões relacionadas a outros aspectos sociais presentes no campo cultural, que tomem como corpora as mais diversas áreas de trabalho artístico, tais como cinema, música, literatura, teatro, artes plásticas, entre outras.



CRÍTICA TEXTUAL E LINGUÍSTICA HISTÓRICA: DA PREPARAÇÃO DO CORPUS À DESCRIÇÃO E ANÁLISE LINGUÍSTICA
Coordenador@s:
Sandro Marcío Drumond Alves Marengo - Universidade Federal de Sergipe / Cleber Alves de Ataíde - UFRPE
Segundo Mattos e Silva (2008), a linguística histórica pode ser tratada por meio de duas vertentes: uma lato sensu, que trabalha com dados datados e localizados, como ocorre em qualquer trabalho de linguística baseado em corpora; e outra stricto sensu, que se dedica à investigação sobre o que muda, como ocorre essa mudança e quais são as motivações condicionantes para que esse fenômeno se apresente nas línguas ao longo do tempo em que são usadas. Na sua proposta de orientação stricto sensu, a autora ainda afirma que a pesquisa pode ser realizada sob dois prismas: o de uma linguística histórica sócio-histórica ou de uma linguística diacrônica associal. Seja qual for a opção, as bases para seu desenvolvimento se apoiam em textos escritos de documentação remanescente. Assim, uma má formulação e/ou alterações significativas nos padrões originais dessas fontes acarretam problemas na geração dos dados. Desse modo, a Crítica Textual, no seu ofício de preparação de edições coesas e fidedignas das fontes históricas escritas (CAMBRAIA, 2005), ocupa um lugar relevante. Tendo em vista o exposto, é importante que se discuta a relação entre a preparação de corpora diacrônicos e suas devidas implicações para o desenvolvimento de pesquisas que tenham como foco a análise e descrição do uso das diversas línguas românicas em tempos pretéritos. Esse intercâmbio de experiências, desde os aspectos metodológicos até diferentes perspectivas de análise que podem ser empregadas, permite o fortalecimento científico desse campo de atuação. Pensando em tudo isso, estabelecemos que os objetivos deste simpósio repousam em reunir pesquisas que discutam questões relativas à edição de textos de tradição românica que são tomados como corpora diacrônicos para fins de descrição e análise linguística, além de congregar estudos dentro do âmbito da linguística românica que contemplem perspectivas sobre linguagem e/ou sobre as concepções de línguas em um viés diacrônico.



PRÁTICAS DE LEITURA E DE ESCRITA NO CHÃO DA ESCOLA: ENCONTROS E INTERAÇÃO
Coordenador@s:
Sandra Helena Dias de Melo / Carmi Ferraz Santos UFRPE
Esse simpósio tem como objetivo discutir a formação docente inicial ou continuada na área de Letras e Pedagogia no que tange a práticas de letramento. Considerando que, para adquirir os saberes escolares, um estudante deve passar por um conjunto de práticas de linguagens (LAHIRE, 2002, p.39), entende-se como necessário para a atividade docente discutir e analisar as práticas de letramento presentes na escola. A escola é há muito um terreno fértil para a academia, no entanto, nem sempre a academia pisa no chão da escola. Nesse contexto, insere-se uma das particularidades desse trabalho, reunir um conjunto de pesquisas e atividades desenvolvidas na escola do ensino básico referentes a práticas de leitura e de escrita, seja por programas, como o PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), seja pelas pesquisas de Iniciação Científica, mestrado ou doutorado, seja, por fim, por meio de participação ou orientação do estágio escolar. Deve-se destacar que está no horizonte desse simpósio o encontro dos sujeitos que pesquisam, estão/continuam em formação docente – orientadores, supervisores, preceptores, licenciados –, bem como a troca, o diálogo e a identificação de semelhanças e diferenças da prática docente em contextos de letramento escolar..



GÊNEROS DE CIRCULAÇÃO PÚBLICA: ANÁLISES E PROPOSTAS DIDÁTICAS
Coordenador@s:
Ângela Cláudia Rezende do Nascimento Rebouças - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte / Monique Alves Vitorino UFPE
O objetivo deste Simpósio Temático é agregar trabalhos que enfoquem diferentes campos teórico-metodológicos de pesquisa sobre gêneros textuais e seu ensino, com foco em um contexto de circulação pública e de mídias digitais. Tendo em vista que orientações e diretrizes preocupadas com o ensino de língua materna priorizam uma concepção ampla de língua/linguagem e das práticas de letramento desenvolvidas na escola, inserindo em contexto de sala de aula a complexidade da produção de sentidos, ressaltamos a necessidade de enfocá-la em seu uso, por meio de práticas situadas para a cidadania, o que convoca as noções de texto, gênero e discurso. Ainda, de acordo com Rojo (2008) e Leal e Santana (2015), em sua maioria, os currículos deste início de século fazem referência à importância do ensino de língua portuguesa pautado na noção de gênero discursivo e de diversidade textual. É notória, portanto, a necessidade de que pesquisadores e professores desenvolvam aportes que subsidiem estudos e práticas que situam o gênero como objeto central de atenção. Dessa forma, com o fim de se debaterem estudos envolvendo gêneros e pedagogias de gêneros que possuem circulação diversa da dos contextos profissionais e acadêmicos, a proposta é discutir trabalhos que apontam para a complexidade da compreensão e da produção de textos (orais e escritos) com circulação menos previsível e participantes menos conhecidos e definidos, a partir de perspectivas variadas de pesquisa e de ensino. Já que estas possuem conceitos e metodologias que viabilizam (sob diversos vieses) ao analista/professor compreender e explicar o contexto de produção, circulação e uso dos gêneros, promove-se, consequentemente, a compreensão dos discursos elaborados nas diferentes esferas sociais, contribuindo para uma melhor apreensão de como as pessoas interagem na sociedade e na cultura.



POLÍTICAS LINGUÍSTICAS: DIFERENTES ABORDAGENS NO CENÁRIO NACIONAL E INTERNACIONAL
Coordenador@s:
Maria Elias Soares - UFC / Socorro Cláudia Tavares de Sousa - UFPB
Este simpósio temático tem como objetivo recepcionar trabalhos em andamento ou já concluídos que tenham como tema central as políticas linguísticas. Partimos de uma noção ampliada de política linguística (COOPER, 1989, SHIFFMAN, 1996; SPOLSKY, 2004, 2009; SHOHAMY, 2006, RICENTO; HORNBERGER, 1996; JOHNSON, 2013), que não se restringe apenas à intervenção na(s) língua(s) realizada por instituições ou pessoas autorizadas. Nessa perspectiva, concebemos política linguística como constituída de três dimensões que são: as crenças e/ou ideologias sobre as línguas e/ou variedades, as práticas e a gestão das línguas e/ou de suas variedades (SPOLSKY, 2004, 2009). Nessa perspectiva, poderão ser apresentadas neste Simpósio pesquisas que investiguem cada uma dessas dimensões tomadas de forma isolada ou articulada. Assim, os resumos podem versar sobre as políticas linguísticas relacionadas: i) às línguas vernáculas, estrangeiras, de sinais, minorizadas, dentre outras; ii) às migrações massivas; iii) à difusão da língua portuguesa enquanto segunda língua ou língua adicional; iv) à internacionalização das universidades e da ciência no Brasil; v) à formação de professores; vi) à integração regional; vii) ao inglês como língua franca; viii) ao ensino e aprendizagem de línguas; ix) aos processos de criação, interpretação e apropriação de políticas linguísticas por diferentes agentes. Esses temas podem ser abordados em domínios como a família, escola, igreja, ambiente de trabalho, organismos governamentais e supranacionais, dentre outros. Considerando a natureza interdisciplinar da área de PPL, poderão ser recepcionados trabalhos que explorem essas temáticas a partir de diferentes perspectivas teóricas (que não apenas da Linguística) e metodológicas (RICENTO, 2006; JOHNSON, 2013, 2015).



MULTIMODALIDADE E MULTILETRAMENTOS NOS ESTUDOS LINGÜÍSTICOS
Coordenador:
Robson Santos De Oliveira - UFRPE
Este simpósio temático agrupa estudos e pesquisas realizadas na área da interface das tecnologias e uso da linguagem em seus vários modos de apresentação e concepção. A multimodalidade compreende os modos diversos em que a linguagem pode ser apresentada, os multiletramentos consistituem-se nas maneiras em que realizamos escrita e leitura, principalmente nos dias contemporâneos em que ocorre a preponderância de uso das tecnologias como suportes e ferramentas de comunicação e de informação. São bem aceitos pesquisas e estudos nessa área de multimodalidade, multiletramentos e tecnologias digitais de informação e comunicação aplicadas aos estudos linguísticos.



TECNOLOGIAS DIGITAIS CONTEMPORÂNEAS NO ENSINO DE LEITURA E DE ESCRITA NA ESCOLA
Coordenador@s:
João Wandemberg Gonçalves Maciel – UFPB / Marineuma de Oliveira Costa Cavalcanti - UFPB
A revolução tecnológica, também conhecida como revolução digital, vem provocando uma verdadeira mudança de arquétipos na forma como lidamos com o conhecimento, sendo comparada por Chartier (1994) à invenção da prensa, dado o caráter insurgente com que modificou os suportes do material escrito. A era digital promoveu alterações, inclusive no modo de como nos pautamos com o universo e com nossos pares. Nesse contexto, este Simpósio Temático tem como objetivo propiciar ambiente favorável para a apresentação de pesquisas, estudos e relatos de experiências, envolvendo o uso das tecnologias digitais contemporâneas voltadas para o ensino de leitura e de escrita no ensino básico. Fundamentamo-nos em estudos sociointeracionistas que discutem o letramento digital e os gêneros discursivos/textuais produzidos e/ou disseminados nas redes sociais, levando-se em conta, principalmente, o advento das novas tecnologias e a expansão das redes sociais digitais, o que tem permitido, cada vez mais, que as pessoas escrevam, editem e a divulguem, nos mais diferentes gêneros, seus pontos de vista e suas opiniões. Colocamos em debate, também, se, e como, poderemos trazer para a sala de aula reflexões sobre essas práticas sociais de linguagens, quer verbal, não verbal, cinésica, tátil e auditiva, que invadem o mundo virtual dos nossos alunos, os quais usam com destreza e habilidade o aparato tecnológico, a exemplo dos gadgests. Palavras-chave: Letramentos. Interações. Redes sociais.



AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM EM PRÁTICAS ORAIS E ESCRITAS
Coordenador@s:
Marianne Carvalho Bezerra Cavalcante – UFPE /Paulo Vinícius Ávila Nóbrega - UEPB
O objetivo do Simpósio é discutir pesquisas que contemplem a entrada da criança nas linguagens oral, escrita e gestual, tendo por pressupostos a multimodalidade e os multiletramentos, que se norteiam pela perspectiva interacional. Dessa forma, espera-se congregar trabalhos que reflitam sobre a aquisição da linguagem em suas distintas modalidades e debatam práticas que destaquem seus usos e funções sociais. Naturalmente, as metodologias serão diferenciadas contemplando os diversos objetivos e recortes pesquisados. O GT será uma oportunidade para refletir sobre percursos já construídos e vislumbrar novos caminhos para a pesquisa sobre o campo da aquisição em suas áreas de atuação.



ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS DE AUTORES NORDESTINOS
Coordenador@s:
Maria do Socorro Silva do Aragão - UFPB / UFC / Sandro Luis de Sousa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (IFRN)
Este Simpósio Temático parte da concepção de que o falar nordestino é resultante de variações do Português Brasileiro (PB), as quais importam, tanto alterações do foneticismo quanto dos materiais morfossintático e semântico-lexical, advindas dos processos de distribuição geográfica e das influências socioculturais (ARAGÃO, 1983; 1984; 1990; 2000; 2004; CARDOSO, 2010; SOUSA, 2017). Levando-se em conta as inter-relações entre língua, cultura e sociedade, os trabalhos devem documentar as variações dialetais encontradas em lexias simples, compostas e textuais, usadas por escritores/autores nordestinos. Com base nessa fundamentação teórica, o Simpósio propõe reunir estudos que investiguem o registro e a análise de particularidades fonético-fonológicas, morfossintáticas e semântico-lexicais do Português Brasileiro (PB). Essas categorias de análise acionam uma abordagem multifocal, o que exige a colaboração/o cruzamento de saberes vários, oriundos das mais diversas áreas do conhecimento, em particular aqueles saberes derivados da Dialetologia, da Etnolinguística e da Sociolinguística; bem como da Lexicologia, da Lexicografia (PONTES, 2009), da Semântica Cultural e da Fonética. No mesmo sentido, são bem-vindos trabalhos cujas análises visam identificar as relações entre a linguagem erudita e a linguagem regional popular em romances, crônicas, contos, canções e poesias, como formas de manifestações linguísticas do significado (FERRAREZI JR., 2010) que revelam modos peculiares de expressão da história, dos costumes, das tradições e da ideologia de autores nordestinos a partir da visão de suas províncias.



LÍNGUAS INDÍGENAS NO BRASIL
Coordenador@s:
Aldir Santos de Paula – UFAL / Stella Telles - UFPE
O Brasil abriga em seu território uma considerável diversidade etnolinguística e uma população de cerca de novecentos mil índios (IBGE, 2015), distribuídos entre os duzentos povos indígenas, presentes em quase todos os estados brasileiros, que falam mais de cento e sessenta línguas (RODRIGUES, 1997), expostas ao inevitável e crescente contato com a sociedade nacional. A atual diferença entre o número de povos e línguas é resultante da perda linguística vivenciada por um número significativo de povos. As pesquisas realizadas sobre os povos e as línguas indígenas possibilitam a ampliação do conhecimento, ainda que parcial e incompleto, sobre as línguas indígenas, de forma que uma parcela delas já possui descrições linguísticas. A realização dos estudos descritivos, que visem à documentação e propiciem o fortalecimento de políticas e ações para a salvaguarda das línguas estimula um esforço coletivo maior, sobretudo por se tratarem de línguas minoritárias e sem prestigio social nas suas relações de contato com a sociedade nacional. Este simpósio sobre Línguas Indígenas objetiva propiciar um espaço para apresentação e discussão de temas que contemplem a descrição linguística com foco nos diferentes níveis da língua (fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e suas interfaces), os estudos comparativos e os de perspectiva histórica. Além disso, trabalhos que estabeleçam a articulação com a antropologia, a história, a educação, a saúde, a música e a literatura, entre outras áreas, são fundamentais e enriquecem o registro e a documentação linguística, os quais são encorajados e bem-vindos para o conjunto das discussões.



ESTUDOS DO TEXTO EM ESPAÇOS SOCIAIS DIFERENTES
Coordenador@s:
Maria Francisca Oliveira Santos Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL / UFAL Deywid Wagner de Melo UFAL
Este simpósio busca reunir trabalhos centrados nos estudos do texto nas modalidades oral e escrita da língua, relacionados aos contextos sociais que envolvem ambientes profissionais, educacionais ou da vida cotidiana do ser humano, pois, como sabemos, ao abrir a boca o sujeito já produz textos (MARCUSCHI) que constituem gêneros textuais/discursivos conforme o propósito comunicativo pretendido. As abordagens metodológicas podem ser de natureza qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa, conforme as pretensões das pesquisas realizadas ou em processo. Os autores com os quais se busca dialogar são Antunes (2010), Cavalcante (2016), Marcuschi (2008), Koch (2003), Koch e Elias (2009), entre outros. À luz das teorias desses autores, pretende-se evidenciar a importância que o texto possui na complexidade das relações humanas em que a todo o momento se busca interagir com o outro por meio de textos. Entende-se texto como “um evento comunicativo para o qual convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas” (BEAUGRANDE, 1997, p. 10 ), mas não se desprezam os demais conceitos de texto existentes, inclusive aqueles que se relacionam ao discurso, que, por sua vez, é entendido como “um modo de ação, uma forma em que as pessoas podem agir sobre o mundo e especialmente sobre os outros, como também um modo de representação [...] é socialmente constitutivo [...] contribui para a constituição de todas as dimensões da estrutura social que, direta ou indiretamente, o moldam e o restringem” (FAIRCLOUGH, 2002, p. 91). Nesse sentido, este Simpósio buscar reunir pesquisadores do texto/discurso que desenvolvam trabalhos centrados na linha interativo-textual-discursiva, contemplando a língua nas suas modalidades oral e escrita de uso.



PROCESSO DE COMPREENSÃO LEITORA E PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: REPENSANDO TEORIAS E PRÁTICAS.
Coordenador@s:
Jane Cristina Beltramini Berto - UAST-UFRPE / Lílian Noemia Torres de Melo Guimarães - UAST-UFRPE
O presente simpósio temático parte da perspectiva dos estudos aplicados que se dedicam a problematizar o ensino da leitura e da escrita escolar, bem como discutir as inovações teórico-práticas frente às demandas emergentes no contexto educativo atual. Nesse sentido, a proposta desse simpósio tem por objetivo, de maneira geral, discutir o processo de compreensão leitora e produção textual escrita, considerando os encaminhamentos nos eixos de leitura, escrita, oralidade e análise linguística, a partir das práticas pedagógicas do professor e das propostas presentes em materiais didáticos. Para tanto, tomamos como fundamento teórico-metodológico os pressupostos curriculares oficiais para o ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica, em especial as orientações sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, 2000) e as orientações curriculares do Estado de Pernambuco (PERNAMBUCO, 2012). Essa temática surge a partir das reflexões, no âmbito do Grupo de Pesquisa em Linguagem e Educação – GEPLE (UFRPE/ UAST), acerca de ensino-aprendizagem e formação inicial e continuada de docentes de Língua Portuguesa na Educação Básica, tendo em vista os resultados de exames de larga escala nacionais e internacionais. Embasados nessa perspectiva, o simpósio visa congregar trabalhos e resultados de pesquisas das áreas de Linguística Aplicada, Aquisição e ensino de Língua Materna, História da Leitura e da Escrita, Políticas linguísticas e Gêneros textuais e letramentos que problematizem o ensino da leitura e da escrita.



ANÁLISE DO DISCURSO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E/OU SUAS LITERATURAS
Coordenador@s:
Inaldo Firmino Soares – UFRPE / Maria Virgínia Leal -/ UFPE
O Simpósio Temático "Análise do Discurso e Ensino de Língua Portuguesa e/ou suas Literaturas" apresentará um painel temático acerca das pesquisas voltadas para o processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa e/ou suas Literaturas sob o viés teórico-metodológico da Análise do Discurso, nas suas variadas vertentes, e que tenham como objeto de estudo não apenas o ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa como primeira língua/língua materna, mas também como Língua Estrangeira e/ou como Língua Adicional (PLE/PLA), e abarcando não somente a escola básica, como também o ensino superior e, até, os cursos de idiomas. O painel a ser apresentado será constituído de trabalhos de pesquisas produzidas por professores pesquisadores de instituições de ensino superior, professores da escola básica e alunos de cursos de pós-graduação: especialização, mestrado ou doutorado. Como já sinalizado anteriormente, por meio da expressão "nas suas variadas vertentes", acerca da linha teórica a que se filia este Simpósio, e no intuito de não se fecharem as discussões e reflexões em torno de uma única concepção, nosso Simpósio Temático focalizará desdobramentos e intersecções entre as variadas linhas teóricas da Análise do Discurso e suas consequentes contribuições teórico-metodológicas para o processo de formação inicial e continuada de professores de Língua Portuguesa e/ou suas Literaturas.



LIBRAS: DOMÍNIOS E INTERFACES NA PESQUISA LINGUÍSTICA
Coordenador@s:
Maria Janaina Alencar Sampaio – UFRPE / Jurandir Ferreira Dias Júnior - UFPE
Este simpósio temático visa acolher pesquisas na área de Libras, uma língua natural moderna, nos seus diversos níveis de investigação. Elementos referentes à sua constituição fonológica, a sua possibilidade de estruturação sintática, aos seus aspectos morfológicos, pragmáticos e semânticos. Destina-se também esse simpósio a tratar de pesquisas sobre o ensino da Libras como primeira língua, como segunda língua, sua aquisição e aprendizado. A este simpósio também interessa o tema da tradução e interpretação, evento bastante relevante no estudo desta língua, bem como questões referentes à sua interface com o português brasileiro. Não podemos deixar de mencionar as políticas públicas que defendem a educação bilíngue para surdos, como a Lei 10.436/02 e o Decreto 5.626/05, bem como a literatura visual / surda e sua relevância para formação do leitor surdo sob a perspectiva de fortalecer sua identidade cultural, destinando-se a construção e desenvolvimento de uma tradição literária surda.



A NATUREZA DIALÓGICA ENTRE FALA E ESCRITA: QUESTÕES FONOLÓGICAS
Coordenador@s:
José S. Magalhães – UFU / André Pedro da Silva - UFRPE
A proposta deste Simpósio Temático é, primariamente, reunir trabalhos que tratem da natureza dialógica entre fala e escrita, tenho a fonologia como suporte. Serão muito bem vindas pesquisas finalizadas ou em andamento, desde que já apresentem algum resultado, as quais versem sobre aspectos diversos envolvendo dados de oralidade e de escrita seja na perspectiva teórica, seja aplicada ao ensino, tais como: fenômenos fonológicos variáveis do português; aplicação de modelos teóricos da fonologia ao ensino; modelos fonológicos subsidiando descrição de fenômenos provenientes da fala e/ou da escrita; descrição geral de processos fonológicos do português e de outras línguas. Retratando todos os aspectos acima, há de se considerar que pesquisas em fonologia – sejam elas do ponto de vista exclusivamente teórico, sejam aquelas que buscam consolidar análises e descrições de dados de fala ou de escrita por meio do aparato fornecido pela fonologia – tem alcançado grande êxito, no Brasil, desde as décadas finais do século passado. Mais recentemente, com a criação do programa de pós-graduação Mestrado Profissional em Letras, também a vertente aplicada ao ensino tem se desenvolvido e levado professores da educação básica a testar como uma teoria fonológica ou como os aspectos fonético e fonológicos da língua podem ser ferramentas cruciais para a prática docente. Considerando-se, pois, todos os elementos aqui apontados, este Simpósio Temático tem como meta provocar intensas discussões e troca de experiências por meio de pesquisas que colocam a fonologia em relevo.



VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA E SUAS PERSPECTIVAS
Coordenador@s:
Valéria Viana Sousa / André Pedro da Silva - UFRPE
Registra-se, no século XX, o nascimento da ciência linguística e a consequente difusão, na primeira década, do Estruturalismo e, posteriormente, a partir dos anos 50, do Gerativismo, teorias linguísticas nas quais permeia a concepção da homogeneidade da língua. Contudo, é, também, neste mesmo século, que surgem teorias voltadas aos estudos da variação e da mudança linguística, cujas pesquisas têm como propósito, sobretudo, constatar a heterogeneidade linguística. Nesta direção, o presente Simpósio Temático, a partir da concepção da heterogeneidade da língua, objetiva a socialização e discussão de estudos e pesquisas sobre fenômenos de variação e a mudança linguística à luz da Sociolinguística, teoria que apresenta como princípio o diálogo entre língua e sociedade e, assim, a correlação entre as variáveis linguísticas e as variáveis sociais; do Funcionalismo, teoria que considera a linguagem como espaço e instrumento de interação social e que procura compreender, no uso efetivo da língua, a motivação para os fatos linguísticos; bem como do Sociofuncionalismo e da Linguística Funcional Centrada no Uso, tendências pautadas na variação e mudança linguística. É interesse, ainda, neste simpósio, pesquisas que estabeleçam um diálogo entre o tema proposto e o espaço escolar para que seja possível refletirmos sobre fenômenos que envolvam essa temática no ensino.



Literatura e ensino na escola e na universidade: modos de fazer
Coordenadora:
Coordenadora: Drª Rosiane Xypas (UFPE)
Que há alunos que recusam ler obras literárias do cânone, isso já é conhecido.Sabe-se que os autores clássicos escreveram para leitores adultos, cultos e da época deles.E os alunos dizem que tais obras não lhes despertam interesse. Porém, se contradizem, pois gostam de ler sagas. A escola e/ou a universidade teria como atender ao chamado desses textos? Ora, um dos problemaspara os professores é ensinar as obras canônicas a um público jovemque não escolheu aqueles textos no contexto histórico-sócio-econômico e cultural diferente do dele.Eo que fazer com o texto literário no âmbito do ensino? Quais as estratégias de leitura do gênero em questão podem ser elaboradas? Qual o papel do sujeito leitor na atividade leitora de textos literários na era atual? O objetivo deste simpósio é de refletir sobre o ensino da Literatura no âmbito da escola e/ou da universidade aceitando estudos concluídos ou em andamento sobre o tema em questão.



Políticas linguísticas e ensino de português como L1 e L2
Coordenador@s:
Dr. Ricardo Nascimento Abreu (UFS) & Drª Isabel Cristina Michelan de Azevedo (UFS)
O pluralismo linguístico identificado no Brasil requer investigar as políticas linguísticas e práticas pedagógicas que orientam trabalhos integrados à interculturalidade constitutiva das atividades empreendidas em classes de L1 e L2 distribuídas no território nacional. O mito do Estado monolíngue, fundado nas ações de defesa e fomento da língua portuguesa durante o século XIX, fez com que os falantes da língua portuguesa ignorassem a multiculturalidade existente entre os falantes implicados no aprendizado de línguas, por isso é necessário ampliar as pesquisas em torno das políticas linguísticas que visam garantir a cidadania linguística daqueles que não falam o português e ainda as que colocam em discussão a cultura escolar dominante em instituições educativas que prioriza o comum, o uniforme e o homogêneo. Neste Simpósio Temático, então, serão aceitos trabalhos que procuram articular o caráter interdisciplinar que constitui os estudos em políticas e direitos linguísticos às diferentes concepções da diversidade presentes nas práticas pedagógicas que pretendem valorizar as múltiplas culturas em disputa nos espaços sociais, visto que consideramos ser possível combater as injustiças, desigualdades e discriminações também em sala de aula, uma vez que a escola cumpre um importante papel no reconhecimento e empoderamento dos sujeitos socioculturais, sobretudo os que são colocados em posições subalternas e/ou são negados em variados espaços sociais.



A LITERATURA E O OLHAR: ENTRE A PALAVRA E A CÂMERA
Coordenador@s:
Dr. Robson Teles Gomes (UNICAP) & DrªErmelinda Maria Araújo Ferreira (UFPE)
Por ser o diálogo entre linguagens um processo múltiplo, sempre é instigante pesquisar as especificidades e multiplicidades de sentidos que existem em cada uma delas. Assim, do olhar da palavra ao olhar da câmera, a transição de sentidos é ampla e se faz convite a um mergulho na tradução intersemiótica. Tomando essa “tradução” como um processo de recriação, são muito interessantes pesquisas que buscam estudar a inter-relação de textos literários e outras linguagens de diferentes áreas do conhecimento, observando-lhes fronteiras, atritos, convergências, divergências, ou quaisquer outras relações que estabeleçam problematizações entre manifestações artísticas. Dentro desse mesmo entendimento, destaca-se a contribuição que esse tipo de diálogo proporciona aos profissionais da área de Letras, de Comunicação, de Cinema, de Fotografia, de Teatro, enfim, a todos aqueles – profissionais ou não – interessados em discutir acerca da multiplicidade que o ser humano é. Ademais, se o escritor concebe o mundo a partir das palavras, analogamente, pode-se dizer que o fotógrafo e o cineasta têm uma câmera no lugar do olho. Nessa perspectiva, este simpósio se propõe a instigar discussões em torno das mais variadas formas de manifestação literária e a construção de imagens sob a ótica de uma câmera, seja para fotografar, seja para filmar.



CONVERGÊNCIAS ENTRE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E AÇÕES DE ENSINO PARA O DESEMPENHO NA COMPREENSÃO DE TEXTOS
Coordenador@s:
Drª Maria Angélica Freire de Carvalho (UFPI) e Keyla Alves Pimentel (UFPI)
Estudos sobre textos e fatores que estão envolvidos no processo de leitura e compreensão avançaram bastante na esteira dos estudos linguísticos e se fortalecem nos avanços da Neurociência. Apesar de avanços significativos, a correspondência em práticas de ensino exige maiores investigações sobre os sujeitos e as habilidades de compreensão leitora. As linguísticas discursivas como, por exemplo, a linguística textual, a análise do discurso e abordagens vizinhas assentam discussões sobre as propriedades textuais, condições de produção e sentidos, apresentando fundamentos teóricos sobre a interação dos sujeitos com o texto, no processamento da compreensão. Por meio desses estudos é possível refletir se impasses na compreensão estão associados a níveis de processos inferenciais para a construção de um modelo situacional nos textos ou limitam-se a dificuldade de identificação de pistas lexicais e suas associações sintático-semânticas. Pode-se afirmar que a associação dessas variáveis é fundamental para refletir sobre o processamento leitor e o desenvolvimento de habilidades para a compreensão. Na base dessa afirmação, o simpósio “Convergência entre estudos linguísticos e ações de ensino para o desempenho na compreensão de textos” busca oportunizar a divulgação de trabalhos e de ações que complementem e ampliem estudos sobre o tema, estreitando laços entre abordagens linguísticas e o ensino de língua portuguesa na escola básica.